Granfondo Skyroad Aldeias do Xisto

Numa altura em que existe uma espécie de depressão coletiva em relação a tudo o que se passa no nosso País, felizmente ainda existem coisas que nos fazem pensar em “contra-ciclo”. E para tal bastou ter tomado a iniciativa de participar, na companhia de dois grandes amigos, num “simples” mas desafiante evento desportivo – Granfondo Skyroad Aldeias do Xisto – que se revelou único, inesquecível e enriquecedor em termos de autoconhecimento físico e mental.

“O conceito Granfondo, alusivo à resistência e endurance que caracterizam estas provas, nasceu em Itália e em pouco tempo se difundiu por todo o mundo com eventos a cativar milhares e milhares de aficionados de ciclismo, atraídos por estes aliciantes desafios realizados em espetaculares e exigentes traçados, em cenários de exceção para a prática do seu desporto favorito.”

Entre muitas sensações que ficaram associadas a este “evento de bicicleta de estrada, vocacionado para todos os praticantes de ciclismo e cicloturismo” que se traduz numa “prova de resistência, dada a sua distância (aproximadamente 150 km) e o seu desnível acumulado (aproximadamente 3.500m), simulando uma etapa de montanha de uma qualquer grande volta ciclista (Tour de France, Vuelta a España ou Volta a Portugal), há dois aspetos que, tal como comecei por dizer, elevaram a minha autoestima patriotica.

O primeiro teve a ver com a fantástica beleza natural do nosso País.

Fiquei maravilhado com esta zona montanhosa das Serras da Lousã e do Açor!

Simplesmente arrebatador o cenário natural onde decorreu a quase totalidade deste evento de duas rodas. Verde, verde e mais verde a perder de vista. O recorte das diversas serras no horizonte ora azul, ora invadido por nuvens que corriam apressadas a fugir do vento. A pureza do ar respirado. Enfim, só mesmo quem lá esteve ou quem já conhece é que entende o meu entusiasmo.

O segundo aspeto prende-se com a grande capacidade organizativa dos Portugueses.

No momento em que me inscrevi “suspeitei” logo que este evento teria algo de diferente neste particular. Numa complexidade tão grande, a melhor avaliação que pode ser feita é ao nível dos pequenos detalhes. E eles foram tantos e tão importantes. Seria exaustivo tentar enunciá-los todos aqui. Elejo um como representante maior de todos eles. A perceção de segurança transmitida ao longo de todos os mais de 150.000 metros de percurso difícil tanto a subir quanto a descer. A sensação com que fiquei foi a de que existiam tantos ou mais elementos da organização espalhados pelo percurso do que participantes. Sempre com um sorriso na face (mesmo aqueles coitados que estavam no topo das serras a tremer de frio), uma frase de incentivo e acima de tudo uma atitude sempre responsável e proativa em relação aos riscos que a zona onde se encontravam poderia trazer para os participantes.

Simplesmente Fantástico!!!

A todos eles dirijo o meu sincero obrigado, não deixando porém de enaltecer também e muito a capacidade de mobilização evidenciada por esta organização de excelência em todos os capítulos.

Para o ano estou certo de que eu e os meus amigos (quiçá em maior número) repetiremos a presença.

Deixo aqui também um resumo da fantástica crónica (interna) escrita pelo nosso Grande Master Yoga (um exemplo para as gerações passadas, presentes e futuras), assim como o report GPS e o vídeo produzido por mim onde tento resumir em 3 minutos as mais de 6 horas a pedalar.

“Mais uma aventura concretizada, Granfondo Skyroad Aldeias do Xisto!

Tudo isto começou há uns meses atrás numa brincadeira.
Estava com vontade de entrar neste parte pernas e desafiei o Byk e o Art.
E que grande companhia fui arranjar, da rotina normal de treinar sozinho passei a ter dois fantásticos companheiros para as maluquices de fim de semana.

A camaradagem e boa disposição foi crescendo com inúmeros episódios em que cada um transcendeu o que imaginava serem os seus limites físicos emocionais e mentais. Mas sempre sem perder o bom senso e espírito de diversão.

Com a preparação feita e uns “martelos” na bagagem lá partimos para a Lousã.

O Byk arranjou lugar para a pernoita na pousada da juventude, mesmo no local de partida da prova, não podia ser melhor, foi só acordar e já estávamos na partida.

A viagem para o Lousã correu bem, conversa de auto motivação não faltou, o Byk foi no lugar da frente e o Art atrás com as perninhas encolhidas e cheio de malas… foi a primeira manobra manhosa para ver se o Art perdia potência… mas o gajo não deu parte fraca. Lá fomos com o Byk de perna esticada e o Art espalmado heheheee.

O primeiro contratempo não tardava a surgir, chegados à pousada, a preocupação geral foi a segurança das binas… mas antes disso o Byk tinha o cartão das pousadas trocado com outro artista… mas fez uns olhinhos para a rececionista blábláblá e lá se safou de ficar a dormir no jipe.

E as binas ???? Dentro do quarto junto à caminha “ estilo Graça” nem pensar, que em tempos uns Prós da competição já tinham feito das suas, marcas de rodas por tudo quanto é chão e paredes… quanto muito podíamos guardar as meninas numa arrecadação exterior com uma porta manhosa que qualquer um poderia abrir com um espirro. A malta ficou logo de cabelos em pé, eu e o Art com perna de ciclista não provocamos muita turbulência mas o Byk com aquela perninha cabeluda eriçada parecia um ouriço.

Resolvemos refletir na forma de colocar as binas a salvo numa viagem de elevador que mais parecia uma viagem no tempo, se a malta largava o botão aquela treta parava, se o dedo ficava no botão ficávamos com espasmos nos braços… depois da atribulada viagem do R/C para o 1º andar fomos para a camarata fazer a caminha.

As binas? Bom… Não podemos dizer onde as deixamos para poder manter o segredo para o próximo ano 🙂

Abrimos as malas e começamos a fazer a vistoria aos “necessaires” para a prova… Grande bronca?!?!? O Yoga esqueceu-se dos bidões para a água e martelos. Entrou em modo urgência… A partir desse momento só uma realidade existia: “encontrar bidões para o Yoga!” O que valeu foi o Art correr que nem um desalmado pela vila até ao stand da Honda antes do fecho. E lá se compraram uns foleiros e mal paridos bidões.

Só o Art é que não deixou nada em casa heheheeee.

Depois ainda faltava a janta para acalmar as barriguinhas, com essa missão partimos pela Lousã esperando encontrar algum local acolhedor, andamos, andamos e nada! Só espeluncas manhosas. Nisto o Byk teve a boa ideia de dizer à malta “ E se o pessoal perguntasse aos moradores qual o melhor lugar para se jantar?”
Cada um partiu para uma abordagem directa a quem estivesse à mão.
Eu fiquei parado no meio da rua esperando um sinal para fazer a minha abordagem, o Byk foi ter com uns velhotes com pinta de darem na vinhaça que estavam sentados no banco de jardim (deve ter tido uma conversa animada). O nosso amigo Art entra sem peneiras na farmácia… Dei por mim esperando o Byk e nisto sai o Art com uma “semicota” muito bem apessoada da farmácia. Ela era só sorrisos… 🙂 Reunidos os 3 em torno da vistosa Tia, tomamos a decisão de seguir os seus sábios conselhos, franguinho assado com arroz e salada num restaurante localizado umas ruas abaixo da farmácia. Bem bom!

Regresso à pousada, chichi, cama e quase que tinha sido uma noite 100% descansada não fossem as inúmeras vezes que o tm do Art tocou. Seria a Tia com a canção da sereia? heheheee

Na manhã seguinte, pequeno almoço no quarto bem cedinho e sem se saber muito bem como, lá estava o pessoal preparado para partir. Estava um frio dos diabos!!! brrrrrrrrrrr

A partida foi rápida e a horas, aquilo foi dar no pedal com força, embora os primeiros 3 Km fossem controlados a verdade é que rodamos logo na casa dos 30/ 40km/h. Isto foi bom para fugir da confusão.

A primeira subida estava logo ali, 30 km a subir. O Art e o Byk começaram logo num andamento forte. Eu tinha deixado as meias para as perninhas em Lx, e não dava para esticar logo a andamento. Eles foram ganhando alguma distância, nada a fazer. O combinado, foi cada um seguir a seu ritmo. É que isto de subir, tem outras regras e andar em grupo com uns esperando os outros é no geral um tiro no pé. Ninguém fica bem. Uns perdem o ritmo por esperar, outros forçam o ritmo tentando não ser um peso. E nisto a malta cheia de boas intenções lixa o esquema todo.

Nós já tínhamos esse ponto afinado previamente e nada de esperas. O Byk e o Art ainda deram umas olhadelas para ver se eu vinha no ritmo mas a coisa ainda não estava quente.

A meio da subida um grupo de ciclistas duma equipe profissional passa por mim. Nesse momento tive um clic! Estava com as pernas aquecidas mas cheio de frio. Pensei – “vou apanhar o comboio”. E que comboio, francamente foi a loucura total. Nem dei por passar pelo Art e Byk tal era a alucinação em que ia, só me preocupava em manter a bina no meio do grupo com o coração a sair pelos ouvidos.

Até ao segundo abastecimento foi derreter tudo o que tinha para manter a roda dos malucos, ai resolvi parar para comer duas bananas, colocar água e reabastecer de Martelo.

O resto da prova foi a gerir o desgaste, subir leve e descer no limite da sanidade mental.

Na subida da barragem de S. Luzia, não sei se o coração batia mais alto nos ouvidos que os tocadores de bombo que ali estavam para animar o pessoal. Na descida arrisquei e segui na roda dos malucos esperando que aqueles malucos tivessem a consciência de fazerem as linhas certas para não ficarmos todos espalmados lá em baixo.

O pessoal falou muito da subida do empedrado, mas francamente estava num estado de anestesia física e mental que só queria acabar aquilo antes de me dar um treco.

Como logo no principio da prova o meu garmin ficou sem bateria, fiquei sem controle da potência, cadência, batimento do coração… nada! Acho que isso foi uma mais valia para esgotar todos os limites que pensava serem possíveis.

Terminei a prova feito num vinte e oito… mas o Art e o Byk também estavam bonitos 🙂

O Art, quando foi ter com ele nem falava muito bem. Estava com uma ponta de mau humor… Nem quis tomar uma banhoca, foi trocar de roupa e queria ir para casa. O Byk quando chegou à meta nem me queria ver. Eu bem gritava e esbracejava “ Ganda Byk!!! Ganda Byk!!! Super Titã!!!”, mas ele só tinha olhinhos para a mocinha da senha da comidinha. Acho que foi dos óculos novos que estão programados para “febras luzidias” 🙂

O Art lá convenceu o Byk a vestir a roupinha e tomar banho em casa.

Na viagem para Lx, viemos a contar as nossas aventuras na prova e fazer o balanço final.

Conclusão final: para estas andanças uma preparação cuidada é fundamental. Treinar com sentido e objetivos definidos, preparar a alimentação antes, durante e depois dos treinos é outro ponto importante e principalmente não nos esquecermos de manter sempre a diversão e bem estar.

Já temos em mente novos desafios e estamos a abrir inscrições para o projeto de 2013…

A vida sem desafios não é tão colorida.

Um abraço a todos

Yoga”

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Report GPS

Vídeo resumo desta aventura (ver com qualidade HD):

Byk

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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