Histórias de Randonneur…

Vila Franca de Xira, 11 de Fevereiro de 2012.

Na verdade não fazia a mínima ideia do que era ser um Randonneur.

Depois de mais uma noite mal dormida, lá estava o meu companheiro TT (habituem-se a estes nomes esquisitos pois a malta tem a mania de batizar toda a gente que anda de bicicleta connosco com uns nicknames cujo significado fica sob reserva ;-)) com aquele sorriso normal dos 5 minutos de atraso. Eram 6:25h da matina quando nos pusemos a caminho do Complexo Desportivo de Vila Franca de Xira.

Chegados ao local da partida percebemos logo que iriamos ter um empeno grande para percorrer, caso chegassemos ao final. Quinze minutos depois chegou o Byk (cá está outro nickname) e depois de montar toda a aparelhagem, especialmente a do Byk (GPS, GoPro, iPhone ligado a uma bateria suplente e a fazer o live coverage da nossa aventura, etc, etc, etc…),  lá fomos fazer a verificação das bikes. Cumpridos todos os requisitos legais, ouvimos a palestra sobre o tema “Conduta de um Randonneur” e fomos para a partida. Importa aqui deixar duas notas sobre a conduta de um Randonneur: não passa sinais vermelhos e sempre que vê um Randonneur parado tem de perguntar  “tudo bem?” e seguir !!!

Como eramos debutantes ficamos para o segundo grupo e pelas 8.06h lá partimos para esta aventura. Nos primeiros kms e perante as temperaturas negativas (quase -2 graus negativos) percebi a sensação que muitos dos alpinistas têm quando ficam com os dedinhos gelados antes de estes começarem a cair…

Bem a coisa aqueceu um pouco, sempre com o Byk a fazer o relato dos graus – “1 positivo, tá a subir malta, 3 positivos, etc” –  fomos fugindo ao frio e pedalando ao mesmo tempo. Tinhamos previsto paragens curtas (2,3 min) de 30 em 30 kms para comermos qualquer coisa, esticar as pernas, fazer a mijinha da ordem e… o TT lubrificar ali aquela zona que fica entre cada uma das partes carnudas e globosas, onde se evidenciam os músculos glúteos, que formam a parte superior e posterior das coxas (ufa! isto tudo para não ter de escrever “pe#da”). Sim, porque o homem passou o dia inteiro a lubrificar a menina fosse onde fosse, mas atenção, sempre com muito estilo e um abrir de pernas a lembrar a dança Haka dos Maori.

O primeiro posto de controlo estava à nossa espera em Mora no Km 88, embora antes disso ainda tivemos uma massagem de empedrado na Azervadinha (não vou esquecer esta terra tão cedo!) e adotamos o nosso António. O António, homem para cinquenta anos, estava a descansar à porta de um café na tal Azervadinha quando o mirei. Passados poucos kms já estava colado a nós e assim foi até Vila Franca de Xira. O António tinha a sua pinta, montado numa S-Works, equipado a rigor e com o patrocínio da empresa de portas blindadas AP de Oeiras. No início achei estranho que uma equipa fosse composta apenas pelo António mas depois de conhecer a figura tudo ficou mais claro. O António faz maratonas de BTT, costuma ir de Porto Salvo onde mora até a Amareleja, sua terra Natal, sempre sozinho mas com a sua “equipa” a apoiar.

Mora

Chegados a Mora e depois do controlo, abancamos no Café Afonso e demos cabo de umas sandes de carne assada com um bocadinho de “mostardame” para o “rater”. Escusado será dizer que o Byk registou o momento colocando o seu já famoso “avatar” playmobil em cima das sandes. Rapidamente nos pusemos a caminho de Montemor-o-Novo, com o Byk a dar conta que iamos descer um pouco e que depois teriamos um empeno jeitoso mesmo antes de lá chegarmos. Era o que queria ouvir… tive os meus 10kms de fama ao liderar o grupo de 3, mais o António, sim porque o António não faz puto ideia do que é puxar num grupo, mesmo assim fomos sempre acarinhando “o mais velho”.

Importa aqui realçar que fomos recebendo via Facebook informações (bocas) emanadas pelo nosso Zefas (diminutivo de “Diretor Desportivo que dá pelo nome de Manuel Zeferino”), comodamente sentado na sua cadeira da LB. Sim, pois fiquem também sabendo que outra das regras dos Randonneurs é não terem qualquer tipo de apoio logístico externo durante o percurso.

Montemor-o-Novo

Chegados a  Montemor-o-Novo, ao posto de controlo situado na Pastelaria Pão Nosso de Cada Dia (é assim mesmo o nome da coisa), o TT ainda antes de desmontar disse – “Sopa? Byk vamos comer uma sopinha?!”. O Byk foi ao livro nº3 da Nutrição Desportiva e disse – ” epá não me apetece muito…” Mas o TT estava imparável, não sei se estava com falta de creme na dita, e corrigiu: “se calhar vou antes comer uma sandes de ovo mexido com bacon!”. Todos provamos a sandes e depois de comermos também umas empadas de galinha lá fomos a salivar em direção às famosas bifanas de Vendas Novas.

O António disse logo: “Isto agora é um pulinho, conheço bem a estrada!”, tendo, no entanto, continuado na traseira do pelotão, sempre a controlar a estrada não fosse ela mexer-se.

Vendas Novas

Vendas Novas ali estava e as bifanas também, regadas com umas belas imperiais. Mas quando o Byk ia tirar a foto da praxe… Ops… Cadê o “avatar”? Pois… O pobre coitado ficou perdido no café de Montemor-o-Novo. 😦 Depois de consolarmos o Byk por esta triste perda, lá fomos ao WC e o TT…bem, esse  já sabem! Todos prontos para arrancar e faltava o António!?! “Epá”, disse o TT, “se o gajo demora muito no WC ainda me seca o creme pah!”.

O Byk traçou os objetivos para os últimos 60 kms, “epá, não podemos ligar as luzes!” , “agora paramos uma ou duas vezes”… e foi para a frente com uma pedalada forte e incisiva. Não havia sinais de lesões, apenas o António com uma picada quando parava e o TT com a habitual picadinha no joelho de vidro.

A coisa foi realmente a rolar até ouvirmos um grito: “pára, pára!”. Era o António. Com o ritmo do Byk, o homem perdeu as luzes que estavam no espigão. Recuperadas as luzes, aproveitamos para comer, deviamos estar a 30 kms do final, e o Byk decidiu tomar a vitamina que lhe tinha dado e que eu proprio tinha tomado logo ás 8h da matina. O TT acompanhou-o no ritual e voltamos a arrancar. Bem aí a coisa ficou mais feia e a 15 kms do fim, depois de algum esforço, consegui chegar perto do Byk e disse-lhe: ´´Epá estas muita forte, olha que ainda temos o empeno” e ele logo respondeu: “Epá assim chegamos mais cedo!”, “mas tudo bem vai tu para a frente e vamos no teu ritmo”.

Bykeur, Graceur e TTeur

Na verdade ele tem pavor a luzes, o homem não queria mesmo era ligar as luzes!!! Bem, o António ainda apareceu ali na frente na reta do Cabo, paramos para tirar a foto na entrada de Vila Franca de Xira e num ápice estavamos a levar com o empeno do fim.

Estávamos de volta ao Complexo Desportivo de Vila Franca de Xira, depois da entrega do Brevet e de tirar a respetiva foto, estava terminado o nosso primeiro desafio!

Passamos a ser Randonneurs!

De regresso ao parque de estacionamento para guardamos as biclas, lá estava o António a guardar a sua menina numa carrinha da sua equipa – a AP. Devia ser dos kms e não tinha percebido, estavamos perante o dono da equipa AP – António Portas! De imediato o António nos brindou com uns cartões de visita e disse: “se precisarem de alguma porta, apitem”.

Não vou aqui descrever o banho que se seguiu mas comprovo que o TT embora tenha feito o movimento não colocou creme. (kkk)

Bem-haja grandes companheiros, Byk e TT! Sem vocês não teria sido possivel passar um Sábado fantástico e elevar a fasquia da minha condição de ciclista amador!

Obrigado!

Graceur

O avatar voltou a aparecer no fim

PS1 – Um agradecimento especial à excelente organização que, apesar de assumidamente não profissional, primou pela excelência, pela simplicidade e principalmente pela simpatia. Sem desprimor pela simpática presença do “carimbador” de serviço de Mora, não posso deixar de realçar a fantástica e contagiante boa disposição (e nessa altura bem precisávamos!) das moças que estavam no posto de controlo de Montemor-o-Novo. Um beijo especial para todas elas do trio mais o António.

PS2 – O “avatar” estava à nossa espera em Vila Franca de Xira em cima da mesa da organização. Tinha sido trazido pelas simpáticas moças de Montemor-o-Novo. O Byk quase chorou… lol

PS4 – O report GPS [aqui]

PS3 – Fica aqui um pequeno vídeo que o Byk fez com imagens desta nossa aventura…

PS5 – E para finalizar uma pequena galeria de fotos
Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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Comments
3 Responses to “Histórias de Randonneur…”
  1. Tiveram sorte que o puto do café já tinha o “Avatar” na colecção…
    A senhora do café ainda perguntou se era nosso… (grupo que chegou depois de vocês, um dos quais vestido de cor-de-rosa – “Os Porquinhos da ILDA”)

    Abraço
    CarlosPedro

    • byk diz:

      🙂
      Este “avatar” é como os gatos, tem 7 vidas 😉
      Parabéns para o vosso grupo pela conclusão deste desafio. Vão aos 300?
      Ab
      Byk

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