Os Miras vão ao Tróia-Sagres

Conforme prometido num artigo anterior cá estou de volta para vos contar como correu esta grande aventura que foi o Tróia-Sagres deste ano.

Começo por fazer um ponto de situação relativo aos objetivos traçados nesse mesmo artigo:

1º objetivo – divertirmo-nos – CUMPRIDO!

2º objetivo – divertirmo-nos – CUMPRIDO!

3º objetivo – divertirmo-nos – CUMPRIDO!

4º objetivo – chegarmos todos ao destino e sem GRANDES mazelas – CUMPRIDO!
Adicionei somente a palavra “grandes” já que houve algumas mazelas que se tornaram pequenas pela estóica demonstração de coragem e firmeza evidenciada por parte de quem as sofreu (dores nos joelhos, cãibras, etc.)

5º objetivo – ah é verdade… a performance:

– Tempo total de 9h – QUASE!
Fizemos 9:40h ! (mas com a atenuante de termos tido um furo e efetuado um desvio pelo cercal)

– Moving time de 8h – QUASE!
Fizemos 8:13h ! (quase na mouche…)

– average moving speed de 25km/h – SUPERADO!
Fizemos 25,1km/h (apesar do empeno adicional do cercal…)

– chegar a sagres às 17h sem necessidade de luzes – QUASE!
Chegamos às 18:16, mas como saímos com 40 minutos de atraso, andamos mais 5km subindo também mais do que o previsto e como na prática quase ninguém usou luzes 🙂 pode-se dizer que também foi cumprido! 🙂

E não é que cumprimos quase tudo na íntegra logo numa primeira participação com Sagres no horizonte… 🙂

Deixo aqui também o Report GPS: http://connect.garmin.com/activity/133927586

A crónica detalhada de todas as peripécias ocorridas durante este fantástico dia (e o seguinte) ficam a cargo de um dos elementos que integrou o nosso pelotão: o kalmas…

E reza assim:

“Começo este relato por agradecer aos líderes do grupo Miras e muito especialmente ao Primus por 4 anos me terem convencido a fazer parte deste excelente grupo de ciclistas. Longe estava eu de prever que neste ponto teria evoluído o suficiente na modalidade para conseguir fazer mais de 200km de bicicleta. Mas foi isso mesmo que aconteceu no passado Sábado, 10 de Dezembro de 2011, quando, já de noite, enregelado e exausto entrei em Sagres ao fim de 9 horas e 206km de estrada, percorrendo um percurso aproximado ao proposto pelo mítico António Malvar na sua peregrinação anual de Tróia a Sagres. Comigo atingiram este objectivo todos os Miras presentes à partida de Tróia. A comitiva contou com o Yoga, Byk, Xichas, TT, Art, Van Cross, Graser, Desmos e eu próprio nas bicicletas e o Primus, o Pata e o Marinhas nos carros de apoio. 

A preparação vinha de trás. O Byk tinha lançado o desafio ao ver a forma consistente com que todo o grupo vinha a treinar e a evoluir. No último mês, em treinos informais de domingo, bateram-se recordes sucessivos de distância culminando numa volta de 150km de Miraflores a Aveiras de Cima. Eu, pessoalmente, balanceado pelo Byk e Xichas e muito ajudado pelo Art tinha também já passado a experiência de fazer 90 km com bastante desnível sobre chuva torrencial numa volta de treino por Sintra.

Com 40 minutos de atraso em relação ao previsto lá partimos como uma máquina bem oleada, alternando a puxar à frente cada 3 minutos, acompanhados sempre pela equipa de apoio nos carros. O Primus fez avançar mais uma área do conhecimento humano completando o vocabulário sinalético dos surdos mudos com uma série de novos sinais importantes para quem anda de bicicleta atrás de um carro. A sua mão esquerda movia-se com autoridade indicando aos carros atrás para ultrapassar (Cabeça De Ganso), formar 3 filas de bicicleta para aproveitar o cone de vento, (Sinal De Vitória Com 3 Dedos), etc.

O Marinhas estreou-se nas lides dos discípulos de Manuel Zeferino com epítetos constantes de motivação duvidosa: “força malta que agora vem aí um empeno de morrer”, “pensem como equipa”. O Pata num estilo diferente, mais na onda seguida no Alentejo, optou por motivar o pessoal encurtando a distância que faltava percorrer “os primeiros 100km são os mais difíceis, a partir daí os quilómetros começam a diminuir”, “força malta que isto agora a partir dos 120km é a parte das subidas por definição, mais fácil” e “só falta uma subida e a seguir é já Sagres”.

O desvio para o Cercal evitando as obras de Porto Covo revelou-se fatídico para uns e uma bênção para outros. Eu furei obrigando a uma paragem forçada numa tasca que tinha como porteiro um Pai Natal de plástico. O Byk e Xichas tão impressionados ficaram com o Pai Natal que acabaram pagando ao boneco uma rodada de amarelinha. A coisa descambou a partir daí sendo o ND3 relegado como secundário e abrindo lugar à aguardente de medronho.

No caminho fomos encontrando algumas personagens giras. Havia um quarteto de bailarinos com collants branquinhos e que, embora andassem com garra, na estrada faziam lembrar bolas do totoloto a rodar aleatoriamente na carambola. Eram difíceis de ultrapassar sem um tipo levar com uma nádega nos ortelhos. Subimos para Odeceixe com um boleador desengonçado que ao princípio me pareceu ser uma reencarnação do Nixon de capacete mas que depois se veio a revelar ter simplesmente o nariz grande.

Na subida para o Cercal o grupo começou a partir-se. O Yoga começou a ficar nervoso e aguentou o que pôde mas ele estava muito forte e a bicicleta de contra-relógio começava a queixar-se de ir sempre abaixo dos 30km/h. Algures entre o Cercal e S. Teotónio o Yoga desapareceu para Sagres e o resto do grupo dividiu-se  em dois. O Graser transportava com ele a feijoada de búzios de quarta-feira e inteligentemente geriu o esforço muito bem nunca entrando em avarias. A ele juntou-se o Cross numa combinação perfeita de espírito de equipa sempre incentivados pelo Marinhas . O resto do grupo arrancou à frente. A 30 km depois de Aljezur eu próprio comecei a dar sinais de fadiga e tive que ficar para atrás. O Art, Byk, TT (com um joelho manco!), Xichas e Desmos lá abalaram com o fogo no rabo.

Para ajudar à festa Deus mandou chuva naquele dia. Não foi por acaso. O Art tinha tido uma conversa com ele anteriormente alegando que já que íamos fazer 200km que os fizéssemos nas piores condições climatéricas para depois não termos que aturar a malta que nos outros anos apanhou vento e chuva. Nada mais chato que depois de 200km ter que se apanhar com conversas do tipo “Ah, fizeram o Tróia/Sagres em 2011? Pois, esse ano tiveram sorte que fez Sol. Nós em 1755 apanhámos vento, chuva e o terramoto de Lisboa”.

Ao passar a Carrapateira eu já sabia que ia acabar o trajeto todo, mas porra! ainda faltavam uns quilómetros e fazia-se noite. O Primus foi meu companheiro de viagem até Vila do Bispo e foi-me ajudando com incentivos e luz. Em Vila do Bispo desapareceu e eu apanhei boleia das luzes de uns BTTistas que estavam com o gás todo e fizeram os 8 km finais a gritar uns aos outros frases de grande significado que teriam enxovalhado o Nuno Rogeiro num debate sobre relações internacionais  “eia chavalo, uau fixe não é?” “ié chavalo, vamos lá chavalo”. Entre chavalos e iés assim cheguei a Sagres.

O Cross e o Graser acompanhados pelo Marinhas chegaram a Sagres fresquinhos que nem alfaces com o Graser a alterar em definitivo a sua forma de discurso sem pronomes na primeira pessoa numa tentativa, bem sucedida, de canalizar o Yannick Djaló: “quem pensava que o Graser não acabava, enganou-se” “o Graser só responde agora por IronGraser” e “era mais provável o Famalicão ganhar o campeonato nacional que o Graser acabar o Tróia/Sagres mas o Graser acabou e o Famalicão é o que é”.

A organização logística de hotel e repasto não falhou como já se previa sendo coordenada pelo grande entertainer IronGraser. Os percebes estavam divinais, a caldeirada também. Consegui emocionar o senhor Helder na altura do coelho ao dar ao homem o maior elogio que se pode dar a um cozinheiro abaixo do rio Tejo: “a minha mãe não faria melhor”. A noite acabou em grande com anedotas brejeiras e a descoberta de uma nova marca de chocolate: o t(r)oblerone (esta piada é restrita ao grupo…).

Enfim, dois dias bem passados com bons amigos e a sensação de desafio ultrapassado.

Nas palavras do grande Malvar, um dia feliz!

Kalmas”

Venha a edição de 2012 que, ao que parece, já está marcada para o dia 15 de Dezembro…

Byk

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Comments
One Response to “Os Miras vão ao Tróia-Sagres”
  1. Miras, o “moving time” previsto de 8h era para o percurso tradicional de 200km e 950m de desnivel positivo, e fizeram-se 206km com mais de 1500m de positivo, portanto pode considerar-se objectivo ultrapassado ;-)). Parabéns e 1 forte abraço.
    Primus

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