Vale a pena investir dinheiro num GPS para a bicicleta?

O meu primeiro registo gravado através de um GPS data de 3 de Outubro de 2006 e o modelo usado na altura foi um Garmin Edge 305. Tratou-se de uma volta muito curta (uns míseros 12km), perto de casa, mais concretamente no Jamor (local conhecido por ser um autêntico “concentrado de BTT” tal a variedade de desafios e percursos).

Desde essa altura até à data em que vos escrevo este artigo já lá vão quase 12.000 km.

Estes 12.000km corresponderam a 347 saídas de bicicleta…

A 900 horas em cima dela…

A média de km por saída passou de 28km em 2007 para os 41km em 2011…

A velocidade média por volta subiu dos 10km/h em 2007 para os 18km/h em 2011…

Durante este tempo todo queimei quase 500.000 calorias…

Subi mais de 150.000 metros…

Tudo a um ritmo cardíaco médio de 123 bpm…

UFA!

E como saberia tudo isto se nunca tivesse registado este manancial de informação?

Pois esta é uma das vantagens mais óbvias de um sistema computorizado instalado na bicicleta. O de poder REGISTAR e GUARDAR ao mais ínfimo detalhe tudo o que se passa durante as nossas aventuras “bináticas”. Registo esse tanto mais rico quando mais acessórios adicionarmos a este sistema, o que nos irá permitir medir e registar por exemplo a frequência cardíaca ou a cadência da pedalada.

Mas para isto é óbvio que não preciso de um GPS. Certo?

Certo!

Mas bastaram 3 dias apenas, após este 1º passeio em que me limitei a ligar e a desligar o GPS, para experimentar a característica mais interessante e mais associada a estes fantásticos e pequenos “aparelhómetros”: a ORIENTAÇÃO.

Tratou-se de um passeio que fiz com uns amigos ali para os lados do Gradil, sem marcações no terreno e que contava apenas com o apoio de um ou dois guias que, entretanto, seguiram com o grupo da frente, e nós, maçaricos e mais habituados a “dar à palheta” do que a pedalar, quando demos por ela estávamos sozinhos in the middle of nowhere.

O primeiro instinto foi olhar uns para os outros na esperança de alguém dizer qualquer coisa como “calma malta, não se preocupem… eu conheço bem a zona e num instante vos ponho no local de chegada!”. Mas ninguém disse nada do género…

Segundo instinto: tudo a olhar para mim e para o meu GPS 🙂

UAU! Nunca pensei que esta minha compra recente viesse a assumir tão cedo um papel tão importante.

Não me inibo, no entanto, de confessar que nesse momento, eu próprio e principalmente os meus amigos que me acompanhavam na altura (bem mais céticos do que eu no que à adoção deste tipo de apetrechos diz respeito) duvidámos da capacidade de orientação de um “zingarelho” com um ecrã monocromático tão pequeno e onde a única coisa que mostrava “parecida” com um mapa era apenas uma linha preta irregular (que fazia lembrar aquele jogo foleiro dos telemóveis antigos e que dava pelo nome de snake).

Bom, mas não havia outra saída e foi então que, depois de andar algum tempo à deriva pelos menus (não tinha lido o manual :-)) consegui ativar uma feature muito importante que existe nos GPS e que se designa por algo parecido com “não fazemos puto ideia onde estamos, portanto vê lá se pelo menos nos consegues levar novamente ao ponto de partida”.

E não é que resultou!!! 🙂

Conseguimos inclusivamente chegar ao ponto de partida (que coincidia também com o ponto de chegada do passeio) antes do restante grupo que tinha seguido na frente.

Depois desta primeira utilização algo “forçada” foram várias as (boas) experiências que fiz utilizando, de uma forma mais consciente (e depois de ler o manual), todas as potencialidades do GPS no que a capacidade de navegação diz respeito. Destas experiências destaco uma em especial que consistiu na adoção de um percurso na lindíssima zona do Gerês (cujo download foi feito via internet) que nos orientou ao longo de ~53km repartidos por Portugal e Espanha num percurso completamente desconhecido para todo o grupo.

Durante estes anos todos experimentei também uma outra funcionalidade interessante denominada VIRTUAL PARTNER e que foi muito útil durante um período de tempo em que tive de pedalar fisicamente sozinho mas virtualmente acompanhado. Através da utilização desta feature tornamos as nossas voltas muito mais motivantes e entretidas já que durante todo o percurso o GPS nos vai dando indicações relativas ao nosso posicionamento face a um parceiro virtual que não é mais do que o registo de um percurso feito por moi même numa outra altura. E se levarmos carregada a melhor performance feita por nós até à data num determinado percurso, já dá para vocês perceberem a animação que isto transmite à volta.

Existem também inúmeros esquemas de TREINO pré-carregados no GPS que confesso que nunca usei de forma assídua, talvez por nunca me terem movido grandes motivações relacionadas com a vertente mais competitiva. Esquemas de séries, com cargas e volumes cientificamente definidos, treinos mais virados para a resistência, outros para a velocidade, etc. Algo deveras interessante para quem esteja para aí virado. O que não tem sido o meu caso até à data.

Entretanto, mantive o Edge 305 até ao início de 2011 (nunca apostando no upgrade para o modelo 705), altura em que decidi adquirir o Edge 800 que até à data me tem enchido completamente as medidas. Ecrã tátil de dimensões generosas, boa resolução e a cores, mapas com grande detalhe, experiência de navegação muito aproximada à que temos nos carros, maior autonomia, usabilidade extremamente simplificada… Uma verdadeira bomba!

Não posso deixar de referir também a importância da existência de um site onde toda a informação fica disponível não só para nossa consulta como também para os nossos amigos e utilizadores em geral (caso não tenhamos ativado a opção de privacidade). Mas de entre todas as coisas interessantes que podem ser consultadas no mesmo (gráficos, mapas, reports, etc.) existe uma funcionalidade que de facto impressiona e através da qual podemos quase que repetir a experiência que tivemos no exterior em cima da nossa bicicleta, mas sentados confortavelmente em frente ao computador. Trata-se do modo player da volta cujo exemplo poder ser constatado através deste link (quando lhe acederem cliquem no botão de play).

Mas como não há bela sem senão deixem-me também apontar um aspeto menos positivo e que se prende com a não existência de uma app (para smarphones e tablets) ou de um site mobile através do qual se consiga replicar no contexto mobile a experiência já referida atrás no contexto internet. Acredito que a Garmin esteja a tratar do assunto mas o que é certo é que a esta altura do campeonato já deveria ter colocado algo no mercado e ainda não o fez. O mapmyride (que é um must em termos de desenho de percursos) por exemplo já tem uma e achei-a muito interessante.

Ainda assim, apesar deste pequeno senão e depois de toda esta conversa acerca da minha ligação com os GPS enquanto pedalo, escusado será dizer qual é a minha resposta para a questão colocada no titulo deste artigo :-).

Acredito que possa não ser uma peça fundamental para grande parte dos ciclistas, mas para mim tem representado um grande entusiasmo que somo à grande motivação e satisfação que tenho em ter decidido há cerca de 5 anos adotar o ciclismo como sendo o meu desporto de eleição, praticado na companhia de um fantástico grupo de amigos, alguns deles “angariados” precisamente durante este período.

Mas com ou sem GPS o que interessa mesmo é ir pedalando em boa companhia por lugares fabulosos para dar, não só, “anos à vida” como também, e se calhar principalmente, “vida aos anos”.

Boas voltas e vejam lá se não se perdem… 😉

Byk

Nota: a marca e os modelos de GPS referidos neste artigo apenas refletem um histórico de utilização pessoal, não existindo qualquer tipo de outros interesses associados, sejam eles comerciais ou de qualquer outra espécie. Existirão seguramente outras marcas e modelos tão bons ou melhores do que os referidos, sendo que, a minha principal intenção ao escrever este artigo se centrou apenas na análise da pertinência de utilização dos mesmos e das suas funcionalidades.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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