Os pesos #1

Uma das conversas mais frequentes entre os praticantes deste fantástico desporto de duas rodas tem como tema recorrente: “os pesos”.

O peso total da bicicleta…

O peso parcial dos componentes…

O baixo peso, esclareça-se.

Do quadro, da suspensão, das rodas, do selim, do espigão, da cassete, do avanço, do pedaleiro, dos pedais, dos raios, dos parafusos (assim de repente não me lembro de nada mais pequeno)…

Tudo medido em gramas.

Aquelas gramas milagrosas que, mais do que uma afetação direta na performance, traduzem uma certa vaidade e até algum status perante os demais ciclistas, também eles em busca do engenho mais “esquelético” e elegante possível.

Baixo peso esse, obtido, na grande maioria das vezes, à custa de uma proporção inversa com os euros investidos. Digo na maioria das vezes porque também os há (poucos, mas eu conheço um!) que conseguem atingir estas fantásticas marcas através de uma criteriosa seleção de bons, baratos e adequados componentes, conjugada com uma engenhosa aplicação de truques aprendidos e apreendidos ao longo de vários anos onde o saber foi sendo apurado à custa tanto das boas como das más experiências (assim de repente lembro-me, por exemplo, de uma sui generis adaptação de pneus muito leves não tubeless, a tubeless).

Apesar do tom algo jocoso que possa estar eventualmente a ser associado a esta minha dissertação sobre o tema, deixem-me desde já esclarecer que, apesar de não me considerar um fiel seguidor desta “religião da leveza do engenho de duas rodas levada ao extremo”, respeito e admiro quem o é e confesso que eu próprio já dei por mim, poucas mas algumas vezes, a tentar baixar o peso da minha bicicleta de BTT para a fantástica (pelo menos para mim) marca dos dez quilos.

Mas qual será o verdadeiro impacto, em termos de performance, de algumas centenas de gramas a menos na nossa bicicleta, quando comparado com os, muitas vezes na casa dos dois dígitos, quilos a mais que a mesma transporta em cima (leia-se ciclista)?

E não! Não estou a falar dos Camelbak que se levam cheios de água às costas.

Nem nas barras energéticas, bananas, telemóveis e afins guardados nos bolsos dos casacos.

Sim! Estou a falar disso mesmo…

DO EXCESSO DE PESO DO CICLISTA! 🙂

Aquele que mais custa admitir que se tem, mas onde se calhar existe a maior margem de manobra no que a perda de peso inútil e desnecessário diz respeito. E não estou a falar das tais centenas de gramas de componentes. Refiro-me, por exemplo, ao peso equivalente a uma bicicleta, sem grandes preocupações com a “silhueta”, que ronde os onze quilos.

Se já temos uma para pedalar, porquê andar com outra “às costas”?!?!

E foi precisamente esta constatação que levou aqui este vosso (atualmente) assíduo praticante de aventuras “bináticas” a deixar de ter a tentação de aplicar aquele “olhar anorético” na inocente “bicla”, a ganhar coragem para direcionar esse mesmo olhar para o espelho mesmo em frente (ou para a balança mesmo em baixo) e tomar a difícil, mas não menos desafiante, decisão de intentar uma mudança, tão natural quanto regular e duradoura, de hábitos alimentares e de prática desportiva.

E não é que deixei de andar com a tal “bicla” de onze quilos “às costas”!!! 🙂

Num próximo artigo tentarei explicar explicar o método e as estratégias que segui para reduzir 11kg ao meu peso em cerca de 6 meses.

Byk

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Comments
4 Responses to “Os pesos #1”
  1. primus master diz:

    Pois é Byk, quem “fala” assim não é gago. A perda de peso (o teu e não o da bike) quando feito de forma sistemática e ponderada, baseada num misto de execução de exercício e atenção ao que “emborcas”, além da referida melhoria de forma e performance que referes é também um contributo inquestionável para o nosso bem estar e qualidade de vida. Fico à espera do relato dessa aventura.
    Mas uma bicicleta leve, quando feita com carinho e sabedoria, melhora a auto estima do autor/praticante, o gozo (muito) e a performance (se o peso for retirado do sitio certo). Quando “a menina” já está leve, que é o caso da tua 😉 bike, logo percebemos que há outros redutos tão ou mais contribuintes para aquele que é de facto, de forma consciente ou ignorada, o objectivo ultimo de quem faz exercício de forma sistemática e criteriosa e que é a melhoria dos índices da nossa qualidade de vida. Aqui se inclui de forma inequívoca a perda criteriosa de peso do (a) artista.

    • byk diz:

      Caro primus, os próximos 2 posts vão ser precisamente dedicados a 2 dos aspectos que referes: a descrição da “aventura” e os benefícios sentidos tanto no plano binático como em todos os outros que o rodeiam.
      Em relação à leveza do engenho deixo a dissertação acerca do tema ao cuidado dos especialistas 😉

  2. Luís Mano diz:

    Um blogue que promete.
    Parabéns.
    xi

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